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Minha História

"Eu sou Ricardo Vinicius, tenho 28 anos, casado com a Dani. Em julho de 2011 me deparei com uma doença rara".

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Família do meu Pai

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Ricardo e Sergio - Os dois tem Adrenoleucodistrofia

Sergio não sente nada, mas os Adrenais estão sem funcionar. Ricardo está com problemas motores.

8 de março de 2015

Dois anos! Tempo relativo...

Ai, que assustador!

Parece que é a primeira vez que escrevo aqui...

Estou desacostumada, perdi a mão?...

Vejamos.

Dois anos! E a relatividade do tempo se faz provar...

Hoje, por exemplo, as lembranças fazem com que pareça que tudo aconteceu há poucos dias...

Todas as imagens e situações vividas naqueles dias estão muito nítidas na nossa memória...

E hoje está atípico: não estamos juntos, reunidos, família e amigos, como sempre fizemos ao longo da nossa vida e desses dois últimos anos.

Aprendemos que o tempo é senhor absoluto de todas as coisas, que ele cura tudo. É bem verdade.

Mas tem uma coisa que o tempo não sana. Aliás, ele só faz aumentar com o passar dos dias, meses, anos... A saudade!

E nesse 8 de março, quando todo mundo comemora o Dia da Mulher, nós também celebramos o Dia Internacional da Saudade...

Tudo que nossa emoção clama hoje é por um sorriso de Ricardinho. 

Uma boa conversa (daquelas bem sérias, que ele conduzia tão bem! Ou divertida e alegre como sempre terminavam esses momentos de fala-fala, rsrs).

Ou ainda, desejo maior de todos, aquele abraço longo, aconchegado, que fazia nossas almas e corações se sentirem acolhidos...

Difícil aceitar (e falo por mim) que não estaremos mais juntos nessa vida... Hoje estou muito cheia de perguntas sem reapostas...

Mas espero, sinceramente, que essa onda de questionamentos passe logo.

E que voltem apenas as lembranças tão boas, as lições tão bem dadas por ele e, na medida do possível, aprendidas e apreendidas por nós...

A garra com que Ricardinho viveu cada conquista.

A alegria que irradiava em quaisquer situações de leveza.

A luz que emanava pelos olhos apertadinhos, mas que eram grandes janelas da sua alma tão clara!

As intensas formas de festejar a vida no carnaval, Festa de Santana, formatura de amigos, encontros animadíssimos em casa...

A seriedade com que conduzia o trabalho, fazendo com que, tão jovem ainda, conquistasse cargos de 'mais velhos', rs.

A disciplina nos estudos, seus e de quem ele amava, cobrando de si e de todos, mais um pouco de tentativa.

O imenso amor que fazia parte de si e que ele doava a quem se chegava a ele.

A determinação com que conduziu a doença (adrenoleucodistrofia), tentando,de todas as formas, se ajudar e ajudar aos outros portadores da ADL-X, numa possível descoberta de cura.

Enfim, é nos apegando nessas lembranças que vamos tocando nossas vidas aqui, até cumprirmos nossas missões. E não me refiro a apego doentio, que possa atrapalhar nossas vidas ou a dele. São apegos suaves, sabendo que agora as vidas são diferentes, as nossas e a dele...

Mesmo nos momentos mais difíceis que ainda temos, sempre procuramos respeitar essa sua nova forma de vida, no plano espiritual em que ele vive agora. Não é fácil, mas tentamos.

Tentamos e esperamos nos reunir outras vezes pra celebrarmos a vida, com preces, alegrias, abraços, emoções, brindes, lágrimas, música... Como sempre foi. E voltará a ser (esse ano estamos respeitando alguns de nós, que não estamos muito prontos pra esses encontros).

E no nosso próximo CELEBRAR A VIDA, faremos juz ao que isso realmente significa!

E vc, Rica, Ricardinho, Cadim, Poroquinha, Zangado, Môzão, verá, mais uma vez, através da luz em que se transformou, e de onde estiver, que vc continua fazendo parte de nós e da nossas vidas... Será sempre assim. Vc sente isso, como sentimos vc bem...

Quanto a mim, filhote, sabe que amo vc - como os outros sobrinhos - com um amor que se assemelha ao amor de mãe...

Amo você incondicionalmente!

Amo você para sempre...

E não há medida pra esse amor.

Beijo de luz pra você, de titia Suzana.